Hop Hour entrevista Cervejaria Quatro Graus

Os fãs de cerveja artesanal de todo o Brasil conhecem muito bem o nome Quatro Graus, conhecida como uma cervejaria focada em cervejas capazes de proporcionar sensações extremas, com seus rótulos potentes e cheios de sabor e aroma.


Iniciada em 2016, a Quatro Graus é uma cervejaria que possui reconhecimento no mercado cervejeiro, e possui uma grande história também na cena de cervejeiros caseiros do Brasil. Os idealizadores da Quatro Graus fazem cerveja juntos desde 2012, e receberam premiações em diversos concursos, e o campeonato nacional de cervejeiros caseiros em 2015 na categoria de cervejas com madeira, com a Black Anthrax.


A Black Anthrax foi o primeiro rótulo lançado comercialmente pela Quatro Graus em julho de 2016, e está longe de ser uma cerveja leve e refrescante, feita para atender o paladar dos bebedores de cervejas comuns. A Black Anthrax foi o rótulo escolhido pela Quatro Graus para abrir as portas do mercado nacional, e como eles definem, ela é uma Brazilian Extreme Imperial Stout com 16% de teor alcoólico e adição de melaço, carvalho, baunilha nacional em favas, café mineiro 100% arábica, rapadura e açúcar mascavo durante sua fabricação.


Entrevistamos Marlos Monçores cervejeiro e frontman da Cervejaria Quatro Graus;


A Quatro Graus surgiu nas “panelas” em 2012, podem contar sobre o início de vocês?

Marlos Monçores - A Quatro Graus foi fundada em 2016, com o lançamento da Black Anthrax. Mas a nossa história é mais longa, em 2012 começamos como hobby e sem pretensão comercial, e conseguimos resultados ótimos em concursos estaduais e nacionais das associações de cervejeiros caseiros . A própria Black Anthrax foi nossa primeira receita, muito elogiada e premiada entre cervejeiros amadores, por isso iniciamos a vida comercial da Quatro Graus com nossa cerveja mais icônica. O nome Quatro Graus foi escolhido por vários motivos, um deles é uma referência aos graus que podem ser seguidos na academia: graduação, mestrado e doutorado, culminando no quarto grau que, para nós, foi a formação da cervejaria, fazendo uma alusão clara à formação científica, tão importante no desenvolvimento de cada produto nosso.


- E como os proprietários se conheceram e como surgiu o interesse de se juntarem e fazer cerveja?

Marlos Monçores - Os sócios se conheceram na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde todos seguiram carreira acadêmica em diferentes áreas das ciências biológicas. A ciência iniciou a amizade dos sócios e até hoje norteia todos os segmentos da cervejaria.


Black Anthrax lançada em 2016

- Podemos dizer que a Quatro Graus teve dois “inícios”, um quando tudo começou nas panelas e depois quando a cervejaria de fato foi constituída, qual foi o maior desafio nesses dois momentos da Quatro Graus?

Marlos Monçores - Quando somos cervejeiros caseiros nosso maior desafio é fazer duas vezes a mesma receita e ela sair igual. Brincadeiras a parte, desde o início como cervejeiros caseiros sempre buscamos fazer receitas que nós gostávamos e não apenas aquelas mais simples. Tem um velho ditado no meio dos cervejeiros caseiros que diz “A primeira receita nunca dá errado”. Seguimos esse ditado e partimos logo para a receita da Black Anthrax e não é que acertamos? A receita atual é um refinamento da que fizemos logo da primeira vez, em 2012. Para entrar no mercado nada melhor do começar com a receita que nos deu identidade e com certeza esse foi o maior desafio da nossa história. Lançar uma receita com 16% de teor alcoólico no Rio de Janeiro não é para qualquer um e parece que ajudamos a iniciar no Brasil o mercado das cervejas “extremas” que não era nada comum na época.


- A Quatro Graus participou de diversos concursos de cervejeiros caseiros, qual foi a importância de ter participado destes concursos e qual foi o impacto disso?

Marlos Monçores - Sempre afirmamos que concursos são ótimos para treinarmos como fazer uma receita, sua execução e aceitação. Na maioria dos concursos da época e inclusive nos atuais temos a divisão de categorias por estilo, o que achamos ótimo para treinamento. Quando começamos a ganhar concursos regionais e nacionais como cervejeiros caseiros percebemos que poderíamos tentar a sorte no mercado, pois aparentemente a gente sabia como fazer cerveja dentro dos estilos tradicionais. Mas desde aquela época a gente sabia que o que realmente queríamos fazer era desrespeitar estilos, fazendo cervejas que provocassem uma mistura de surpresa e prazer nas pessoas. E para fazer isso temos que arriscar, pensar fora dos estilos. E é o que mais gostamos de fazer.


- Por ser uma cervejaria carioca seria “natural” a Quatro Graus apostar em cervejas mais refrescantes, como as famosas NEIPA’s e as Sour’s, por que apostar em cervejas potentes, alcoólicas e complexas?

Marlos Monçores - Fazer cerveja dá trabalho e não é fácil. Em casa levamos pelo menos um dia inteiro para brassar, vários dias para fermentar, engarrafar…, até chegar o dia de consumir. Então para que perder esse tempo fazendo session? Essa sempre foi nossa linha de pensamento e seguimos assim quando entramos no mercado. Pode ter certeza que toda a cerveja que colocamos no mercado é uma receita que temos prazer em fazer e beber, e não foi pensada apenas para atender uma parcela do mercado X ou Y.


- A Quatro Graus possui cervejas sazonais e de linha? Como funciona o processo de “lançamento” de cervejas ? A Quatro Graus possui quantos rótulos no seu portfólio?

Marlos Monçores - Podemos dizer que a única cerveja de linha da QG é a Black Anthrax, que lançamos todos os anos no inverno. Mas nem ela mesmo pode ser realmente categorizada dessa forma, já que buscamos sempre fazer sempre mudanças na receita base para adequar a receita original ao que achamos mais interessante. Por isso marcamos no rótulo da Black Anthrax o ano que ela foi produzida com destaque para que as pessoas saibam o seu lote e possam controlar melhor o envelhecimento. Como somos entusiastas em fazer receitas novas e buscar desafios diferentes em termos de processo cervejeiro acabamos repetindo poucos rótulos nossos. Talvez a única exceção é a Entomology, uma cerveja colaborativa com a Cervejaria Dádiva que já está foi produzida várias vezes. Nesses quatro anos como cervejaria comercial (sim, quatro anos da Quatro Graus!) já produzimos 26 rótulos diferentes, sem contar as variações da Black Anthrax (16 variações já contando as 6 que serão lançadas esse ano). E ainda já temos na bagagem vários rótulos colaborativos, sendo produzidos por cervejarias parceiras como De Molen (Holanda), Dádiva (SP), 5 Elementos (Ceará), Salvador (Rio Grande do Sul), Three Monkeys e Oceânica (Rio de Janeiro), Mad Dwarf (Santa Catarina), Koala San Brews (Minas Gerais), Dogma (SP), Brewpoint (RJ), Way (PR). Uma regra de ouro para escolhermos parceiros para fazer uma colaborativa é gostarmos e termos grande respeito e admiração pelo que eles produzem. Até agora acertamos em todas as parcerias.


- Existe uma pressão para entregar novas receita? Como vocês encaram isso?

Marlos Monçores - Encaramos como a melhor parte do nosso trabalho. Parece clichê, mas temos verdadeira paixão por escrever receitas. Não só escolher todos os ingredientes, processos, leveduras, maturação, mas também conhecer a aprender com novos equipamentos. Já rodamos o Brasil inteiro fazendo rótulos colaborativos com cervejarias parceiras e a cada planta cervejeira temos novos desafios e aprendizados. Uma coisa importante que a bagagem científica trouxe para nós é buscar sempre aprender com novas receitas e novos parceiros.


- É complicado escolher, mas existe um rótulo preferido?

Marlos Monçores - Acho que não temos como fugir do rótulo que nos ajudou desde o começo, desde a nossa primeira receita. A Black Anthrax é um marco na nossa história e iremos continuar produzindo sempre. Podem preparar aquela degustação vertical de Black Anthrax especial que iremos ter um rótulo novo preparado especialmente para cada ano.


- Por falar em rótulo, os rótulos da Quatro Graus são bem característicos, são ilustrações muito bonitas, de onde vem a inspiração para os rótulos? Tem alguma relação ao estilo musical Thrash Metal?

Marlos Monçores - Alguns dos nossos mais famosos tem uma pegada sim nessa linha, mas não todos. Tivemos alguns artistas trabalhando conosco desde o início e o icônico rótulo da Black Anthrax foi feito por um colega de faculdade de um dos sócios chamado Fernando Real. Aqui tem um link para a arte original da Black Anthrax. Mas gostamos também de variar nossos temas como o rótulo mais descontraído da Better Together e o rótulo do nosso mais novo lançamento da Megasobremesa. O importante é o rótulo ajudar na experiência da degustação, complementando a sensação que queremos passar para quem está consumindo.


- O mercado cervejeiro vem evoluindo de mudando constantemente, está mais fácil ou mais difícil produzir e comercializar cerveja no Brasil?

Marlos Monçores - Estamos em um momento complicado do mercado cervejeiro devido a situação financeira do país. Houve uma expansão brusca porém positiva no número de cervejarias (fábricas e ciganos) nos últimos anos, junto a um movimento flutuante do mercado consumidor. Em resumo: ficou mais fácil fazer e mais difícil vender. Acreditamos que os obstáculos que estão no caminho das cervejarias brasileiras serão bem superados e escondem oportunidades, como da descoberta da identidade da cerveja brasileira moderna e no desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias, o que tende a acelerar e baratear a cerveja especial. Temos a ideia que, hoje, devemos sempre mostrar nossa identidade para fazer produtos únicos, que mostrem para quem gosta de cerveja que o mais interessante é ter experiências também únicas. Em um mercado cada vez mais disputado e muitas vezes por cervejas parecidas manter nossa identidade forte desde o início sempre foi nosso maior trunfo.


- Como vocês enxergam o mercado de cervejas artesanais? O que é preciso, na opinião de vocês, para o setor crescer e aumentar a participação de mercado?

Marlos Monçores - Esta pergunta tem diversas respostas, talvez todas corretas. Vamos explorar alguns poucos pontos aqui. O mercado da cerveja artesanal no Brasil teve um ótimo crescimento, que veio junto de uma cultura nova ou da convergência de mercados que estavam crescendo no Brasil. A cerveja artesanal acompanhou mudanças no consumo, novos bares e tipos de bares surgiram com o boom da cerveja artesanal, food truck entrou na moda, consumo de queijos artesanais também, fora os vários festivais e shows que foram acompanhados ou centrados no consumo de cerveja artesanal. Além disso muitos resolveram aprender a fazer cerveja. Virou moda. Não vimos o mesmo entusiasmo quando vinho virou moda nos anos 90, ou quando culinária japonesa ficou mais popular. Internet e mídias sociais foram fundamentais para promover a novidade. Com a cerveja artesanal nós acompanhamos um interesse de boa parte dos jovens adultos se interessando pelo consumo ou pela cultura. Por isso houve um boom e o mercado viu um grande nicho surgindo a ser atendido. O setor cresceu mas a instabilidade econômica estrangulou o processo. Então, hoje, vemos um ajuste do mercado, da indústria e seus consumidores. A busca por sabores diferentes, mas que caibam no bolso e agradem o gosto está se refinando. Quem entra agora no mercado tem que se preocupar em mostrar qualidade, sabor e preço. Se a indústria conseguir ler bem o que o mercado está pedindo, continuaremos a crescer. Ainda estamos otimistas que o mercado das artesanais possa crescer em tamanho. Nosso desejo é justamente poder atender os apreciadores de cerveja, que, como nós, gostam de cervejas marcantes.


- A internet mudou muitos mercados, quebrou alguns e criou novos, como vocês enxergam o papel da internet no mercado de cervejas artesanais hoje?

Marlos Monçores - Nós encaramos como essencial, principalmente para quem quer fazer cervejas diferentes e marcantes, que consequentemente apresentam um custo mais elevado de produção e um consequente valor mais elevado que a média do mercado. Poder vender de forma fácil e rápida para o Brasil todo é muito importante para aumentarmos nosso alcance no mercado nacional, chegando em todas as regiões do Brasil. Temos grandes parceiros em pontos de venda fixos, que não se sobrepõem ao online. Nenhum site vai conseguir reproduzir a sensação de estar em um bar degustando a cerveja com os nosso amigos e amigas. Mas um site pode ajudar a cerveja a chegar em um uma cidade mais distante, que não tem bar. E pode deixar aquele bottleshare mais especial por contar com uma cerveja que normalmente não é vendida nesse local.


- E aquela famosa pergunta, como vocês se enxergam daqui 5 anos, quais são os planos para o futuro? E podemos esperar alguma novidade para 2019 ?

Marlos Monçores - Podem esperar novidades em 2019 e em todos os anos que virão a seguir. Para o futuro, o plano é fazer mais cervejas e estar mais presente em cidades que nunca estivemos antes. Daqui a 5 anos queremos ser entrevistados novamente por vocês, podemos combinar assim?





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