A Igreja Católica e a Cerveja, uma relação que vai dos mosteiros até o seu copo

“Eu gostaria de um grande lago de cerveja para o Rei dos Reis.

Eu gostaria que os anjos do Paraíso bebessem dele por toda a eternidade.”

Santa Brígida da Irlanda


Você pode até achar que leu errado, mas está certo sim, a Igreja Católica tem sua própria relação com a cerveja e não é como sinônimo de pecado. Senta que lá vem um pouco da história da cerveja, que é uma das bebidas mais antigas do mundo. Apesar da cerveja já possuir relatos desde os sumérios, sua aproximação com a Igreja surgiu na Idade Média. Na época, as mulheres eram responsáveis por pequenas produções domésticas da bebida em casa, pois ao contrário do que é hoje, a cerveja era vista como um alimento saudável, nutritivo e básico para a população.


Só que foi dentro dos mosteiros, pelas mãos dos monges medievais, que seu sabor e qualidade foram aprimorados, é tanto que eles foram os pioneiros na pesquisa e desenvolvimento de técnicas de fabricação da cerveja. O consumo era tão comum que dizem que, quando os monges se comportavam mal (dentro dos costumes deles), o “castigo” era que só podiam beber as cervejas de baixa qualidade, que era bem amargas, imagina só. É tanto que, durante a Quaresma, existiam alguns monges que faziam a penitência, bebendo apenas esse tipo de cerveja. O papa Alexandre VII em 1662 aprovou um decreto que dizia: Liquidum non frangit jejunum, ou seja bebidas não infringem regras de penitência e jejum. Bebidas desde a cerveja até o chocolate, com exceção do vinho, que é usado no rito católico. Esse fato tornou a cerveja muito mais importante para católicos. Como os religiosos ficavam em jejum, eles escolhiam a bebida, devido a sua nutrição como alimento e uma forma de suportar o frio.

Além de procurar elevar o sabor único da cerveja, os monges decidiram aumentar a escala de sua produção para que pudessem vender e tornar uma fonte de renda, da mesma maneira que faziam com outros produtos. Um costume que surgiu lá na Idade Média e que até os dias atuais, fez com que a cerveja produzida pelos monges trapistas belgas ser considerada como a melhor cerveja do mundo. E se achou que a história parava por aí, pode esperar mais um pouquinho.


Os monges produziam as cervejas, e a Igreja Católica possuía os direitos da escrita e dos estudos deles e, é claro, que tudo a sete chaves. Só que mais do que uma fonte nutritiva e não de prazeres ilícitos, a cerveja também tinha seus santos, como São Columbano, São Venceslau, Santo Arnulfo de Metz, Santo Arnaldo de Soissons, Santa Hildegarda, Santo Agostinho, Santo Adriano, São Patricio e não para por aí. Tem uns que fizeram milagres, quase que como transformar água em vinho, mas isso a gente conta em outro dia.




Com a produção à todo vapor, os monges irlandeses Columbano e Galo (sim, os mesmos

que são santos!), fundaram por toda Europa, vários mosteiros com amplas instalações de

fabricação de cerveja, foi uma forma até de disseminar a cultura cervejeira. Entre as mais famosas, estão a Abadia de Sankt Gallen, na Suíça, e a Abadia de Bobbio, na Itália. Para quem não sabe, “Abadia” é como chamavam os próprios mosteiros das comunidades cristãs, mas não pense que tudo foi maravilhoso, porque muitas delas deixaram de existir,

principalmente pelas perseguições durante a história. Um dos grandes exemplos, são os

atos do Rei Henrique VIII, da Inglaterra, que acabou com todas as Abadias do país, pois tinham conflitos pessoais com o Vaticano e com a Reforma Protestante. Até mesmo Napoleão expulsou todos os religiosos do império francês, devido suas divergências com o Papa da época.


Durante muitos anos, a fabricação das Abadias foram mantidas e cultivadas nos monastérios, porém, ao passar do tempo, outras produções começaram a se destacar, como as da Ordem Cistercience da Estrita Observância ou, como é conhecida, Ordem Trapista, fundada em 1664. Você deve estar se perguntando, mas é tudo a mesma coisa ?

Você não é o único a tentar entender isso, é tanto que acabou gerando uma enorme confusão no mundo cervejeiro.


Na metade do século XX, as Trapistas começaram a ganhar muita fama e foram fontes de inspiração para inúmeros produtores, o que tornou o “Estilo Trapista” bem forte, sendo adotado em diversos rótulos, mesmo não fazendo parte da Ordem. Porém, o ano de 1960, foi o divisor de águas, quando a cervejaria Veltem lançou a “Veltem Trappist”, enfurecendo os monges da Abadia D’Orval que entraram com processo. Só em 1962, que a Câmara Belga do Comércio decretou: ​ “cerveja trapista é somente aquela que é produzida por monges cistercienses e não uma cerveja no estilo trapista, a qual deve ser denominada Cerveja de Abadia”. Pronto, problema resolvido, todos felizes!

Cervejas Trapistas

Só vale lembrar que as Trapistas e de Abadia não são estilos de cerveja e sim, termos que remetem a sua tradição cervejeira dentro dos monastérios. Até hoje as abadias e monges continuam fazendo cervejas incríveis. Se quer provar uma autêntica Trapista, mas tem dúvida se ela realmente é verdadeira, pode ficar bem calmo, que as originais são certificadas pela Associação Internacional Trapista (https://www.trappist.be/en/) , algumas delas são: Rochefort, Westmalle, Westvleteren/St Sixtus, Chimay, St. Joseph’s Abbey, Tre Fontane, entre outras.



Já de Abadia, a lista é bem grande como a própria Leffe, St. Bernardus, Maredsous e St. Feuillien, mas a gente te conta outras mais para frente. No site da associação é possível encontrar a lista atualizada das cervejas, endereço das abadias, e mais informações.










Quem diria que uma religião poderia ter uma relação tão forte com a cerveja.

Agora é escolher qual delas vai experimentar primeiro e brindar: PROSIT !


Logo-Novo-BV.png

PARCEIROS

delibeery-cervejas.png
Logo-HopMundi-completo.png
drink-karma.png
american-beer.png
tesla-cervejaria.png
wiva-cerveja-artesanal.png
logo_campinas_cervejaria_2019.png
zev.png
bierinbox.jpeg
Untitled-1.png
2.png
WhatsApp-Image-2020-08-17-at-11.59.png
LOGO.png

Mogi Guaçu - SP

CONTATO

ENDEREÇO

  • Instagram - White Circle
  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco

SIGA A GENTE